terça-feira, 24 de janeiro de 2012

coberta.

Todo dia na hora de dormir eu separo três cobertas, faça frio ou calor, essas três cobertas vão pra cama comigo. O motivo é bem bobo e vocês provavelmente vão me achar mais babaca ainda depois que eu contar, mas é que só assim eu me sinto segura dormindo. Isso mesmo, se-gu-ra, eu uso três cobertas por segurança, por achar que se algo acontecer enquanto durmo, aquelas três delicias vão me proteger de tudo, de um péssimo sono e do cantar do galo do vizinho. Vou dormir em paz, e acordar me sentindo bem, não importa o que aconteça.
Se fosse só isso, talvez seria algo bobo, um motivo pra ser zuada pelos amigos, mas acontece que essa mania sai do quarto - não, eu não ando com cobertas por aí, ao menos não literalmente - e me persegue por vinte e quatro horas.
Como já passei por situações chatas e desnecessárias que me fizeram sofrer de forma patética, eu aprendi a colocar meus sentimentos pra dormir durante o dia, todos cobertos, pra se sentirem protegidos e não acordarem.
Sim, eu comecei a ignorar o que sinto, e mais, quando surgia uma oportunidade pra viver todo aquele sentimento, ainda que por um curto tempo, eu colocava eles pra dormir, e quando a oportunidade passava, eu tirava eles da cama, no começo parecia resolver, mas agora eu só acho que dava certo porque no fundo, eles não estavam animados pra levantar, eles não sentiam que era a hora de acordar.
Só que dessa última vez, eles acordaram - um pouco tarde é verdade - e agora, bom, agora de nada adiantou a proteção, os sentimentos se revoltaram com a minha atitude, e se tornou impossível ignorar as demonstrações de que eles estão acordados e querendo viver, aproveitar e...e é tarde demais.
O que acontece é que minha segurança agora não me livra de tudo, mesmo que eu ainda use as três cobertas, meus sonhos são dominados por esses pensamentos, por imagens de como tudo poderia ter sido, e quando eu acordo, eles não aceitam ir pra cama, ficam escondidos e aparecem quando eu menos espero, só pra me lembrar mais uma vez de tudo que eu posso ter perdido, ou ao menos, de algo que eu deveria ter me permitido viver.
E eu que pensei estar segura coberta...

2 Comentários:

  1. A gente sofre e insiste em usar cobertas. Aí que a gente deixa de se dá conta, que o que foi, ficou pra trás, o que virá, cabe a nós viver ou não. Podemos nos trancar no passado e não viver o presente, fazendo o futuro ser desperdiçado também. Ou saber que existiu passado, pra que houvesse um novo presente e assim saltarmos direto pro futuro. Vale lembrar que pra saltar, é preciso coragem pra saber que pode cair e machucar, mas que pode também, não machucar e ser muito mais feliz, sem ou com enormes feridas.

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